o galho da ararinha

conselhos sobre a vida..

Sim! Caso você esteja lendo isso pelo computador em seu navegador, é bem provável que esse post esteja tocando música - NÃO TENHA MEDO!! - tudo está nos conformes, ao final do post haverá um hyperlink com a música que seus ouvidos estão presenciando <3

Boa noite amiguxos! Como vão? Espero que muito bem <3

Dei uma sumidinha mas agora voltei com uma inspiração do que dissertar. Desde a mudança para a nova cidade que atualmente estou morando, sinto que tenho muito a dizer sobre tudo isso, mas nunca com certeza absoluta do que — e vamos e convenhamos, essa certeza jamais vai surgir — pelo contrário, acredito que a respeito desse aspecto, dessa temática — a vida e suas mudanças — o frasco nunca vai ser cheio completamente, no máximo vai ser fechado, quando eu ir dessa pra outra e realmente não ter mais formas físicas de expressão, quem sabe eu ainda continue pensando a respeito no que possivelmente venha depois.

Mas hoje, o que me movimentou a escrever, foi uma doce surpresa que eu recebi no meio do meu dia: havia ido até a casa da minha vó, para buscar um bolo que ela havia feito para mim e meu irmão, e ali fiquei um pouco, conversamos os lugares-comuns — o clima, o trabalho, a rotina — porém o que me encaçapou desprevenido foi uma fala orientadora que ela me deu, não possuo a melhor memória do mundo para narração exata, algo triste porque adoraria guarda-lá perfeita comigo para sempre, mas irei dar meu máximo para passar a mensagem que recebi...

(Um pouco de contexto antes de começar realmente, essa minha avó em questão, é de parte paterna. Meus pais são separados fazem alguns anos já, uma separação muito atribulada, longíssima de qualquer sinônimo de paz, e que, aqui em casa — moramos com a minha mãe — ainda reverbera diariamente, com indiretas, retrucamentos e rancores mal-resolvidos. Acredito que isso já baste pra situar melhor vocês)

Começou com uma notícia muito fofa: ela encomendou de presente para nós — eu, meu irmão e minha mãe — um forno de presente, ressaltando com importância o caráter de segredo até sua chegada, pois aí ela convidará nós para irmos visita-lá e ali recebermos o tão esperado, de grandessíssima utilidade, visto que o nosso forno atual, coitado, já vem adiando muito sua aposentadoria. Disso, ela encaixou o assunto de que ela não se contenta nenhum com pouco com o jeito que os meus pais findaram as coisas, e entende a parte de erros de cada um dos dois, se entristecendo principalmente com a impossibilidade de mudar os pensamentos radicais que o meu pai — um formado cabeça-dura — têm. Que ela jamais iria deixar de nos ajudar, porque se não pode mudar o jeito que as coisas ficaram, irá tratar de sempre auxiliar eu e meu irmão.

Aí eu já estava quase em prantos, esse assunto sempre me derruba, me anavalha sutilmente no peito, todos esses assuntos mal-resolvidos foram a trilha sonora da minha infância, mas continuemos...

O que se seguiu foi mais diretamente a meu respeito, de que eu devo sempre seguir no caminho que eu escolher seguir, independente do que for, pois por experiência ela conta que seguiu o que os pais a mandaram fazer, abandonou o sonho de ser enfermeira para entrar no convento, e hoje repensa que poderia ter trilhado um caminho diferente, em que talvez poderia ter sido mais livre. Que não há vergonha em errar, em seguir em algo que deseja e se perder por um momento, é normal, e o que deve ser feito é tentar novamente, no mesmo trilho ou em um novo, mas sempre com autenticidade.

Com isso eu tive me segurei para não chorar ali mesmo, tão de súbito receber uma dessas pega forte demais, o máximo que pude dizer na hora foi concordar, abraça-lá e me despedir, pois já estava de saída naquele momento da conversa. Saí para rua — estava de bike, mas tratei de caminhar, para rebobinar o que ouvi — e segui embasbacado, com a própria fala mas, ainda mais, com a portadora dela, não via minha vó como uma pessoa de dar conselhos assim, ela raramente expressava opiniões — ao menos, não comigo — acredito que o momento atual da minha vida tenha se tornado uma porta aberta para que ela pudesse me auxiliar desse modo, e agradeço muito, porque sem dúvidas me marcou.

O que me chamou a atenção enquanto escrevo aqui, é a dicotomia de dialogo que a geração da minha vó e a da minha mãe dizem, enquanto a primeira ressalta a necessidade de seguir decisivo nas próprias escolhas, a segunda ressalta que o que mais se arrepende é de não ter seguido o que os pais e mais velhos a recomendaram fazer quando era jovem. Claro que os dois diálogos podem possuir suas parcialidades situacionais — um conselho amigo num momento delicado e uma bronca para te enfiar na dura realidade da vida real atual — e declaro que não tomo nenhum com exatidão absoluta, acredito que o presente mais intrínseco da vida é a possibilidade de ser fiel a si mesmo, mas é inegável que em certos momentos se faz necessário ouvir um conselho que não nos conforta e nos propõe a reformar certos cômodos da nossa mente, e a vida segue-se assim: um malabarismo entre o que nos apetece internamente e a opinião alheia que, aqui e ali, merece uma escuta atenta e aberta.

O campo da vida é absurdamente extenso e jamais vou falar tudo que anseio em dizer, muito se esvai em pensamentos momentâneos, esse blog seguirá sendo uma gaveta dos que eu consigo apanhar.

Um abraço a todos <3
E um beijo forte ao meu namorado, to morrendo de saudades de você meu xuxu

♫⋆。♪ ₊˚♬ ゚. Malabarista de Granadas - O Grilo ♫⋆。♪ ₊˚♬ ゚.